A época é totalmente propícia para este título, afinal para boa parte das empresas é o momento de realizar o planejamento financeiro para 2010. Se formos seguir o modelo clássico que segue a idéia da área de inovação como uma área de P&D, seja somente para atividades de gestão, seja para desenvolvimento, ou ainda ambos, é muito provável que em qualquer uma dessas situações, para os gestores corporativos a percepção é de que ainda é uma área de gastos apenas. Nas conversas que percebo no mercado este é o viés mais permanente de percepção: área de custos e não de geração de receita.
Ainda utilizando a visão do modelo clássico de gestão organizacional, sob o ponto de vista da governança corporativa, as áreas de negócios que geram receita e que formam a cadeia de valor principal das corporações, dificilmente comprometem o seu budget para investimentos em inovação. Isto é bastante natural uma vez que os indicadores de gestão usuais para tais áreas provavelmente não sofrem influência visível ou facilmente rastreável destes (salvo os projetos de ruptura, mas que são raros).
É possível que os cenários acima sejam bastante comuns ou similares, mesmo que parcialmente, nas empresas atualmente. O fato é que em tal situação, os investimentos em inovação são tão frágeis quanto qualquer outra área da cadeia de valor interna secundária. Eu não quero entrar no mérito da avaliação de funções organizacionais e a geração de valor por setores de empresas, mas dificilmente uma área de inovação tem o seu business plan baseado em outro aspecto senão o risco financeiro de suporte a vendas.
É importante colocar que todos os aspectos relacionados ao ambiente interno de inovação de uma empresa, bem como os seus processos de geração e operação de projetos, os quais deveriam estar alinhados à estratégia de negócio corporativo, normalmente existe totalmente distante da definição do modelo de negócios de viabilização da própria área. Isto acontece talvez porque a visão seja mais associada a projetos, e seus resultados, do que à visão corporativa. Neste ponto, é fundamental se perceber que, dentre todas as áreas de negócio das empresas, apenas a de inovação possui um marco regulatório e uma série de outros incentivos e parcerias, que podem gerar um modelo de negócios de menor risco à inovação.
Eu particularmente entendo que a visão corporativa orientada desta forma, é a única maneira de ir mudando a cultura brasileira de baixo investimento privado em inovação/p&d.
Budget de inovação
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Flávio Pimentel
on quinta-feira, 29 de outubro de 2009
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Agências de fomento, empresas e risco: a tríade da inovação
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Flávio Pimentel
on quarta-feira, 28 de outubro de 2009
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Já está comum em eventos sobre inovação a realização de apresentações que mostram o crescimento dos ventures capitalists e private equity no Brasil, mesmo que ainda estejam em patamares bem inferiores. O fato é que, principalmente em tempos de crise, investidores têm na questão de aversão a risco uma variável muito mais complicada e sensível, o que torna o "investimento de aventura" mais complicado mesmo sob a tutela de um bem elaborado business plan.
Mesmo sem a crise, o cenário de investimentos em inovação sempre esteve atrelado à participação do governo, ora em setores estratégicos, ora como promotor do ambiente de investimentos. No caso do Brasil, infelizmente, o histórico de investimentos por parte dos agentes de inovação sempre teve um viés mais próximo da academia, do que propriamente do mercado. Isto parece que vem mudando, e eu espero que mude cada vez mais rápido para que os modelos de negócio do relacionamento Universidade-Empresa adotem de fato a visão web 2.0, e passem a ser muito mais colaborativos, do que uma mera prestação de serviço.
A visão do direcionador como sendo a empresa, já é um bom passo neste sentido, mas o destravamento das burocracias nas agências de fomento, e a mudança de postura também das empresas são elementos que se não ocorrerem de forma integrada irão promover uma ineficiência no sistema nacional de inovação que, pela primeira vez, pode ter a chance de alterar a razão dos investimentos privados em inovação versus PIB.
Mesmo sem a crise, o cenário de investimentos em inovação sempre esteve atrelado à participação do governo, ora em setores estratégicos, ora como promotor do ambiente de investimentos. No caso do Brasil, infelizmente, o histórico de investimentos por parte dos agentes de inovação sempre teve um viés mais próximo da academia, do que propriamente do mercado. Isto parece que vem mudando, e eu espero que mude cada vez mais rápido para que os modelos de negócio do relacionamento Universidade-Empresa adotem de fato a visão web 2.0, e passem a ser muito mais colaborativos, do que uma mera prestação de serviço.
A visão do direcionador como sendo a empresa, já é um bom passo neste sentido, mas o destravamento das burocracias nas agências de fomento, e a mudança de postura também das empresas são elementos que se não ocorrerem de forma integrada irão promover uma ineficiência no sistema nacional de inovação que, pela primeira vez, pode ter a chance de alterar a razão dos investimentos privados em inovação versus PIB.
A referência da inovação
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Flávio Pimentel
on terça-feira, 27 de outubro de 2009
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Dentro das várias discussões que já tive dentro e fora da empresa onde trabalho, há sempre aqueles momentos onde se questiona se um determinado projeto ou iniciativa é inovadora. O curioso é que, principalmente por trabalhar na área de tecnologia da informação, as minhas referências tendem a ser globais ou, de outra forma, a ver algumas iniciativas bastante inovadoras para os olhos de alguns, como sem sal. E talvez aí seja a raiz do problema.
Essa tendência de arrogância na análise de nível de inovação pode levar a uma inovação nunca acontecer por empresas. O motivo mais simples para justificar isso está no fato da desincronia entre a realidade do mercado e o nível de propostas de projetos internos que eventualmente aconteçam. Em resumo, a análise de inovação se não tiver o posicionamento da proposta subsidiado por análises de marketing e financeira, dificilmente terá uma avaliação correta. Por isso que inovação não é algo de tecnicistas, mas de gestores que tenham a capacidade de visão ampla o suficiente para saber posicionar a iniciativa que surge.
E dentro deste posicionamento, ou reposicionamento, está a questão de definir o modelo de negócios apropriado para a proposta inovadora pois, mesmo que uma inovação vá em frente sem se pensar isso, na melhor das hipóteses ela será ineficiente.
A grande conclusão de uma linha de raciocínio como esta é de que pensar em inovação é dependente de ter definido um processo colaboração entre áreas complementares, mas de ter um bit setado efetivamente em uma visão mecadológica, afinal inovação só é inovação para quem usa e não para quem cria. E, como sempre, a referência é o consumidor.
Essa tendência de arrogância na análise de nível de inovação pode levar a uma inovação nunca acontecer por empresas. O motivo mais simples para justificar isso está no fato da desincronia entre a realidade do mercado e o nível de propostas de projetos internos que eventualmente aconteçam. Em resumo, a análise de inovação se não tiver o posicionamento da proposta subsidiado por análises de marketing e financeira, dificilmente terá uma avaliação correta. Por isso que inovação não é algo de tecnicistas, mas de gestores que tenham a capacidade de visão ampla o suficiente para saber posicionar a iniciativa que surge.
E dentro deste posicionamento, ou reposicionamento, está a questão de definir o modelo de negócios apropriado para a proposta inovadora pois, mesmo que uma inovação vá em frente sem se pensar isso, na melhor das hipóteses ela será ineficiente.
A grande conclusão de uma linha de raciocínio como esta é de que pensar em inovação é dependente de ter definido um processo colaboração entre áreas complementares, mas de ter um bit setado efetivamente em uma visão mecadológica, afinal inovação só é inovação para quem usa e não para quem cria. E, como sempre, a referência é o consumidor.
Aspectos de gestão em Open Innovation no setor de serviços
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Flávio Pimentel
on segunda-feira, 26 de outubro de 2009
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Para iniciar este blog sobre a inovação como uma ferramenta de geração de resultados e estratégia de negócio, irei utilizar o evento sobre Open Innovation ocorrido na semana passada. Btw, continuo mantendo a opinião que dentre os eventos atuais no Brasil, este é o que gera a melhor oportunidade para discutir o assunto.
Mas voltando à questão do evento, um ponto que finalmente percebi ser fundamental para apoiar a quebra de paradigmas sobre o assunto, foi o fato do Henry Chesbrough haver informado que até o final do ano estará lançando um outro livro sobre a visão dele a respeito de Open Innovation para o setor de serviços.
Por que acredito que isto é relevante?
Bom, a questão principal está associada ao fato que, 99,9% das discussões sobre inovação e aspectos legais correlatos estão relacionadas a paradigmas da indústria de manufatura, e isto implica em diferenças básicas não somente devido às diferentes características do mercado, mas também das empresas envolvidas. Isto é relevante de ser discutido principalmente em um momento onde a aplicação prática da Lei de Inovação e Lei do Bem no Brasil, por exemplo, são essencialmente baseados nas premissas do Manual Fraskati, cuja ênfase é P&D e não inovação. Este último aspecto é crítico para se entender a profundidade da diferença entre indústria e serviços, visto a sustentabilidade de inovação como uma ferramenta de competitividade no final da cadeia de valor de serviços, e da distância que a indústria tem do consumidor. Uma vez que o consumidor está mais próximo da empresa de serviços do que da indústria, e contando-se a ênfase de que o mercado agora é one-2-one, ou seja, o consumidor individual define o produto, os ciclos de vida de produtos têm se tornado cada vez mais curtos.
Se isso acima não é suficiente para que você perceba o tamanho do problema de estratégia de marketing e produção, e o quanto os incentivos à inovação no Brasil estão defasados desta realidade, então discutir sobre porque Open Innovation e seus modelos de negócios associados devem ser analisados para reduzir as dificuldades de restrições do mix entre a organização e os incentivos, se torna complicado.
Mas vale a pena aprofundar o assunto.
Mas voltando à questão do evento, um ponto que finalmente percebi ser fundamental para apoiar a quebra de paradigmas sobre o assunto, foi o fato do Henry Chesbrough haver informado que até o final do ano estará lançando um outro livro sobre a visão dele a respeito de Open Innovation para o setor de serviços.
Por que acredito que isto é relevante?
Bom, a questão principal está associada ao fato que, 99,9% das discussões sobre inovação e aspectos legais correlatos estão relacionadas a paradigmas da indústria de manufatura, e isto implica em diferenças básicas não somente devido às diferentes características do mercado, mas também das empresas envolvidas. Isto é relevante de ser discutido principalmente em um momento onde a aplicação prática da Lei de Inovação e Lei do Bem no Brasil, por exemplo, são essencialmente baseados nas premissas do Manual Fraskati, cuja ênfase é P&D e não inovação. Este último aspecto é crítico para se entender a profundidade da diferença entre indústria e serviços, visto a sustentabilidade de inovação como uma ferramenta de competitividade no final da cadeia de valor de serviços, e da distância que a indústria tem do consumidor. Uma vez que o consumidor está mais próximo da empresa de serviços do que da indústria, e contando-se a ênfase de que o mercado agora é one-2-one, ou seja, o consumidor individual define o produto, os ciclos de vida de produtos têm se tornado cada vez mais curtos.
Se isso acima não é suficiente para que você perceba o tamanho do problema de estratégia de marketing e produção, e o quanto os incentivos à inovação no Brasil estão defasados desta realidade, então discutir sobre porque Open Innovation e seus modelos de negócios associados devem ser analisados para reduzir as dificuldades de restrições do mix entre a organização e os incentivos, se torna complicado.
Mas vale a pena aprofundar o assunto.
