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Flávio Pimentel é um executivo que atua com inovação, P&D e desenvolvimento de novos negócios em tecnologia há mais de 15 anos. Este blog é um espaço destinado a expor visões sobre como tais assuntos acontecem dentro do cenário corporativo, e trocar experiências com outros executivos.

Budget de inovação

A época é totalmente propícia para este título, afinal para boa parte das empresas é o momento de realizar o planejamento financeiro para 2010. Se formos seguir o modelo clássico que segue a idéia da área de inovação como uma área de P&D, seja somente para atividades de gestão, seja para desenvolvimento, ou ainda ambos, é muito provável que em qualquer uma dessas situações, para os gestores corporativos a percepção é de que ainda é uma área de gastos apenas. Nas conversas que percebo no mercado este é o viés mais permanente de percepção: área de custos e não de geração de receita.

Ainda utilizando a visão do modelo clássico de gestão organizacional, sob o ponto de vista da governança corporativa, as áreas de negócios que geram receita e que formam a cadeia de valor principal das corporações, dificilmente comprometem o seu budget para investimentos em inovação. Isto é bastante natural uma vez que os indicadores de gestão usuais para tais áreas provavelmente não sofrem influência visível ou facilmente rastreável destes (salvo os projetos de ruptura, mas que são raros).

É possível que os cenários acima sejam bastante comuns ou similares, mesmo que parcialmente, nas empresas atualmente. O fato é que em tal situação, os investimentos em inovação são tão frágeis quanto qualquer outra área da cadeia de valor interna secundária. Eu não quero entrar no mérito da avaliação de funções organizacionais e a geração de valor por setores de empresas, mas dificilmente uma área de inovação tem o seu business plan baseado em outro aspecto senão o risco financeiro de suporte a vendas.

É importante colocar que todos os aspectos relacionados ao ambiente interno de inovação de uma empresa, bem como os seus processos de geração e operação de projetos, os quais deveriam estar alinhados à estratégia de negócio corporativo, normalmente existe totalmente distante da definição do modelo de negócios de viabilização da própria área. Isto acontece talvez porque a visão seja mais associada a projetos, e seus resultados, do que à visão corporativa. Neste ponto, é fundamental se perceber que, dentre todas as áreas de negócio das empresas, apenas a de inovação possui um marco regulatório e uma série de outros incentivos e parcerias, que podem gerar um modelo de negócios de menor risco à inovação.

Eu particularmente entendo que a visão corporativa orientada desta forma, é a única maneira de ir mudando a cultura brasileira de baixo investimento privado em inovação/p&d.

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