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Flávio Pimentel é um executivo que atua com inovação, P&D e desenvolvimento de novos negócios em tecnologia há mais de 15 anos. Este blog é um espaço destinado a expor visões sobre como tais assuntos acontecem dentro do cenário corporativo, e trocar experiências com outros executivos.

Inovação em produtos alimentícios

Em virtude de experiências próprias, comecei a me deparar com a análise sobre inovações realizadas em produtos alimentícios. Ao contrário do que alguém totalmente ligado em tecnologia poderia esperar em um mundo onde a engenharia de alimentos tornou-se uma das carreiras mais bem remuneradas das engenharias, tive uma certa decepção.

A principal decepção que tive foi em virtude do fato de que, na maior parte dos casos, as inovações ocorridas estão muito mais associadas às embalagens, formato de produto e estratégias de logística e preço do que propriamente ao conteúdo do produto em si. Digo isso porque há anos tenho o hábito de percorrer as gôndolas de supermercados, olhando produto por produto e, salvo algumas exceções, no que se refere ao desenvolvimento real de novos produtos vejo uma situação inversa ao que ocorre no mercado de nichos especializados.

Inclusive por se tratar de algo extremamente relacionado ao consumidor final, e tomando por base que tais consumidores efetivamente estão sendo cada vez mais atendidos por produtos customizados ao seu perfil, acredito que as empresas deste setor estão perdendo algumas oportunidades com mark-up mais alto. Certamente tenho consciência de que a produção em escala é o melhor dos mundos em termos de previsibilidade, gestão de operações, margens de produto.... No entanto, há de se perceber que os espaços para introdução de produtos de menor escala pode ser viável, mesmo considerando que ainda é um processo de mercado em início.

Nesse ponto, as micro e pequenas empresas assumem em geral o papel principal, mesmo considerando as limitações de suas capacidades produtivas, negociação e logística. Como em vários outros setores, são as pequenas e micro empresas que criam novas situações.

Em um país onde a falta de alimentos a populações mais pobres por um lado, e a demanda real por diversidade de produtos novos por outro, deveriam fazer com que tais setores produtivos tivessem apoio mais relevante. Isto inclusive pelo aproveitamento do enorme potencial que o agribusiness e a diversidade brasileira possuem. É um grande desperdício quando vemos nenhum apoio das agências de fomento, na forma de programas específicos, ocorrerem para este setor.

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