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Flávio Pimentel é um executivo que atua com inovação, P&D e desenvolvimento de novos negócios em tecnologia há mais de 15 anos. Este blog é um espaço destinado a expor visões sobre como tais assuntos acontecem dentro do cenário corporativo, e trocar experiências com outros executivos.

Dá para incentivar empresas a inovar no Brasil?

Ainda em continuidade ao que estávamos falando em post anterior, é importante lembrar que o crescimento do mercado no Brasil que está previsto para 2010, será acompanhado pelo aumento da atividade industrial. Devido a isto, e como a base das Leis de Incentivo no Brasil estão relativamente associadas ao aumento do volume de vendas das empresas, é de se esperar que aumente a disponibilidade de recursos para investimentos em inovação a partir do setor privado.

A questão neste momento, para aqueles que têm a noção da oportunidade que isto significa para melhorar o indicador de investimento do setor privado versus PIB Brasil, está tanto na falta de preparação para investir em inovação nas empresas, quanto do risco que significa enquadrar projetos. Tomando como base que as duas principais legislações associadas ao contexto ao qual nos referimos, a Lei de Informática e a Lei do Bem, é de se preocupar que o viés fortemente relacionado a P&D nas análises de projetos destas duas legislações seja um empecilho para um aumento de competitividade de produtos nacionais contra a importação de produtos de outros países.

Não estou dizendo com isso, novamente, que o investimento em P&D não deve ser feito. Absolutamente. Mas também não se pode ter uma análise de enquadramento de estímulo à inovação baseada numa visão acadêmica de projetos. Sei que a matéria é subjetiva e sujeita a diversos problemas, no entanto, acredito que o exercício temporal de enquadramento de projetos deveria se guiar pelo status da realidade do mercado brasileiro no momento do desenvolvimento de projetos. Por exemplo, veja o caso de desenvolvimento de jogos para celular. Hoje em dia, perceber o desenvolvimento de um jogo para celular como inovação é bem mais complicado porque é algo já inserido e bem estabelecido na cultura e no mercado. Óbvio que há sempre espaço para inovar, estou tomando por base um desenvolvimento normal de jogo. Mas lá pelas bandas de 2004 e 2005, desenvolver jogos para celular era algo totalmente novo aqui no Brasil, e com diversos desafios.

O resumo da história é que a análise de uso de recursos legais para inovação deveria se basear em critérios de competitividade e não em critérios de desenvolvimento tecnológico com viés acadêmico. É preciso ter mais gente de marketing discutindo Ciência e Tecnologia no Brasil para que possamos reduzir os problemas de déficits de balanças comerciais ou perdas de competitividade baseadas em inovação.

E se hoje, o cenário de empresas que utilizam os recursos acima está na ordem de poucas 3000 empresas, de um total de alguns milhões de empresas, a coisa está feia.

Cultura de inovação empresarial no país

Voltando de um período de férias de final de ano e inércia de início de ano, o tema de conversa hoje é sobre o problema do ambiente de inovação empresarial do país.

Este tema foi motivado a partir da nossa participação em um encontro hoje (20/01) do MEI - Movimento Empresarial pela Inovação - que é suportado pela CNI. é importante tomar como pré-requisito deste texto a visão de que, ao contrário do que aconteceu nos posts anteriores, desta vez a conversa exige uma visão mais ampla e estratégica. É como se estivesse saindo de uma conversa sobre microeconomia e rumando para macroeconomia.

Um primeiro aspecto neste momento, é a preocupação com a escala de empresas que tenham uma agenda de inovação. O modelo de suporte criado pelo Governo ainda está muito longe de conseguir estimular a maior parte da massa empresarial formada por micro, pequenas e médias empresas. Por isso, a discussão sobre a necessidade de focar na ampliação de uma prática empresarial de inovação aparenta ser urgente, não somente para permitir a clareza sobre os aperfeiçoamentos que ainda se fazem necessários ao marco regulatório e seus adjacentes, como também para permitir uma maturidade das empresas em ter na inovação uma ferramenta efetiva de competitividade.

Por isso que acredito que, em função do ano de 2010 ser pouco propício a quaisquer tentativas de negociação política neste item, o esforço de atuar na massa empresarial através das cadeias de valores formadas por fornecedores das grandes empresas dentro de um plano de inovação integrado, possa ser um mecanismo efetivo de ação. Esta pode ser uma alternativa interessante se houver uma postura mais agressiva de instrumentos como os já existentes no BNDES, mas a custos de capital mais vantajosos do que os atuais.

O assunto é amplo, e este post serviu apenas para colocá-lo em pauta.