Após um longo período sem escrever neste blog, chega o momento de voltar à ativa. Talvez a principal razão para isto esteja justamente associada ao título deste post: o efervescente cenário de surgimento de startups no Brasil.
Mesmo com tal título, começo pelo pleonasmo do: vamos começar pelo começo.
Evidentemente que quando se fala em startups, se pensa logo no "quase Graal" ecossistema de negócios dos US, do qual estamos muuuito distantes, e que cria até modelos de atração de empreendedores externos. Mas, independente disto, o que me motiva a realizar este post hoje está na questão de colocar em dúvida alguns posicionamentos que existem hoje nesse meio de viabilização de novos negócios.
Um exemplo disto é a velha discussão de que para um negócio digital escalar, deveria ir para os US, abrir lá nos US, usufruir do networking do mundo de investidores americanos, etc. O fato é que ninguém duvida que o tamanho do mercado americano, os hábitos e maturidade digitais da população, dentre outros fatores são barreiras muito reduzidas quando comparados com a realidade de outros países, incluindo o nosso. No entanto, a posição generalizada de que isto é condição única para sucesso de um novo empreendimento, é um engano.
Em primeiro momento é importante que se entenda realmente qual a capacidade de mercado para o negócio. Esta frase é óbvia, e dita por diversas pessoas. Mas não estou me referindo ao processo top-down de definir mercado para uma startup onde você olha o tamanho do mercado, e define o quanto vai querer dele. Estou me referindo a se fazer o processo inverso, ou seja, efetivamente perceber que você entende o comportamento do seu público-alvo e consegue no bottom-up dimensionar qual a fatia que realmente é possível se movimentar com aquele negócio. Esse fato é muitas vezes fortemente dependente de questões ou momentos culturais. No entanto, o desenvolvimento ao empreendedor da sua capacidade de conseguir criar a fórmula de entendimento sobre os aspectos de consumo e a relação disto com o seu negócio, é a chave principal para a validação da consistência do motor de crescimento do negócio. Por isso que, mesmo mercados reduzidos mas em forte expansão como no Brasil podem ser válidos de fato para alvo de startups. De novo, ter como linha de visão a capacidade de entendimento do público-alvo é o ponto principal, pois é de lá que irão sair as conclusões sobre a validade real do seu negócio.
Além disso, criar uma startup significa também enfrentar logo cedo diversos aspectos de gestão, que incluem aspectos de governança e administração que variam de país para país. Nada pior do que ter de resolver logo cedo alguns problemas de contrato quando a jurisdição está fora, ou entender alguns detalhes legais que começam a impactar a parte de custos do negócio.
O volume e qualidade de informações necessárias para gerar segurança em um modelo de negócios passa a ser algo que somente testando na prática, consegue ser convencido, e consegue também se convencer alguém. Por tal motivo, a existência de metodologias como a do Lean Startup passam a ser vistas de forma mais atenta. Não que haja um receita de bolo, absolutamente, mas o bom senso de alguns conceitos é totalmente relevante a serem observados, adaptados e serem seguidos. De fato, tanto no que se refere a desenvolvimento do produto, mas principalmente desenvolvimento do negócio, as ponderações sobre a visão de como encaminhar isto, são vitais a se conseguir perceber que a startup é consistente no que tange à maturidade dos empreendedores, o que irá ser fundamental para um item importantíssimo de risco: a relação de governança entre os sócios do empreendimento.
Continuamos em outro post.
A adrenalina corre no ambiente de startups no Brasil #1
Postado por
Flávio Pimentel
on sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

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