Nesse mundo dos incentivos à inovação há sempre 2 cenários de discussão: o primeiro das visões estratégicas, das políticas de incentivo, da discussão sobre modelos de inovação, etc, e o segundo, relativo à operação no dia a dia do uso dos incentivos. À parte o problema de que, normalmente, os executivos negligenciam o segundo achando que é a parte fácil da coisa, a curta visão sobre o que é realizar atividades de enquadramento, alocação adequada de custos, etc, gera um outro efeito colateral dentro das corporações e que se refere à distância sobre o espírito legal dos incentivos.
Veja que o destaque que estou colocando está intrínseco ao fato de que na operação dos incentivos, as equipes das empresas que utilizam os projetos não têm interesse em assimilar o espírito da legislação. Tratar o ambiente que suporta recursos para as atividades de uma equipe de forma tão distante é um risco desnecessário. Acredito que este desinteresse esteja muito mais associado a uma visão curta de gestão e à percepção de que se trata de burocracia (e burocracia é resolvida por áreas administrativas e financeiras).
É por isso que, vez por outra, ouço em algumas conversas com executivos e em eventos que eles utilizam consultoria especializadas para analisar enquadramentos em legislações como a Lei do Bem, por exemplo. E muitas vezes a ignorância leva ao excesso de se pensar em colocar mais do que se pode. Veja que este viés de "se colocar mais do que pode" já é uma distorção no origem do problema que está associado à visão do "para que?" e "em que?" você vê o incentivo fazendo sentido. Tenho a visão de que o aspecto financeiro é consequência e não causa é muito mais saudável do que o inverso. E, sinceramente, numa postura de investimentos - onde se ponderam riscos e rentabilidades - acredito que o custo total quando se tem entendimento da finalidade do incentivo é naturalmente maior, mais clara e melhor aproveitada.
Não sei se seria falar demais, ou subir um pouco para a estratosfera, mas talvez essa "falta de interesse" em entender melhor o mecanismo esteja muito mais associada a uma certa cultura corporativa de que explorar outros aspectos senão aquilo que esteja no seu foco imediato de competência, é considerado desperdício.
O curioso é que entender dos riscos técnicos em utilizar os incentivos passa também por abrir a mente para novas informações e que não estão no dia a dia da agenda de hoje. Tornar a agenda de inovação algo real no dia a dia das gestores é algo que depende efetivamente de ação, pois ninguém duvida que inovação é algo importante para a competitividade.
Incentivos hoje: o cenário dos riscos técnicos
Postado por
Flávio Pimentel
on sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

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